Usei IA e olha no que deu

·3 min de leitura
🇬🇧 English version
Um GIF que mostra uma cena do jogo 1000xResit, onde uma personagem vestindo roupa azul quebra um cristal azul.

Eu olhei pro abismo e ele olhou de volta.

Foi essa a sensação de usar IA pela primeira vez. Sempre tive receio. Antes, usava só para tirar dúvidas e consultar melhorias. Tanto que deixava o código separado. Usava apenas a web.

Mas comi da maçã.

A minha "Eva" foi meu amigo Kaio, uma pessoa cética quanto ao uso de IA que me convenceu a dar uma chance. Experimentei. Passei pelo encantamento, frustração e contentamento. Vamos começar com o encantamento.

E relaxa: eu tô escrevendo esse post e vou pedir pra IA arrumar meus erros gramaticais — eu sempre ia pra final em português na escola ehehhe

Primeiro: a maçã

Um GIF do anime Death Note, onde o shinigami Ryuk está comendo uma maçã

Comecei testando a IA de verdade: paguei o ingresso do Claude e criei um projetinho chamado code-katas, onde resolvi desafios de código de vários sites em Rust — uma linguagem que havia estudado mas nunca programado de verdade. O resultado foi surpreendente. Usei TDD, código enxuto, DRY, refactor... Tudo que os grandes programadores falavam que era bom, de fato era bom.

Qualquer problema tinha solução. Qualquer limite podia ser alcançado. Eu já não me via mais sem a IA.

A vida era boa e feliz.

Até que o abismo olhou de volta.

O abismo

Tentei fazer um projeto que nem eu mesmo sabia definir: um site-game onde as pessoas visitavam pontos turísticos de Recife e marcavam presença via geolocalização. Um passaporte virtual carimbado na rua. (Essa parte usei IA pra escrever porque nem eu sei o que era isso)

Cometi o ledo engano de não saber o que queria e deixei a IA decidir. Estava apaixonado e não sabia dizer não. Fui queimando tokens.

O resultado foi um Frankenstein. Ideias mal pensadas, coisas sem sentido, problemas de código e de produto. Feio por dentro e por fora.

Aí eu saquei.

Eu preciso saber pra onde devo ir.

É como estar num carro: a IA dirige, mas eu dou a direção, corrijo, mudo a rota. Quando essa posição se inverte — ou pior, quando a IA faz as duas coisas — o abismo aparece.

Então tentei usar a IA mais uma vez, só que do jeito certo.

Usei a IA e olha no que deu

Um GIF do anime Vagabond, onde Miyamoto Musashi está em reflexão

Decidi melhorar meu blog. Tinha várias ideias paradas.

Primeiro: atualizar dependências. Pedi um plano pra IA e depois pedi pra ela executar. Rolou algumas quebras, mas tudo funcionou.

Depois veio a hora dos testes — acredite se quiser, não havia um teste unitário sequer. Pedi um plano de cobertura e hoje conto com testes unitários, integração, componente e, pasmem, e2e.

Com tudo isso me senti grandão. Mudei tipografia, responsividade, coloquei animação na home, barra de progresso no post, sessão de comentários. Tanta coisa.

A diferença foi saber o que eu queria. Eu sabia até a tecnologia que precisava — só não sabia o caminho, ou tinha preguiça. E é aí que a IA brilha: requisitos claros, resultado certeiro.

Programar é gostoso. Eu até curtia ficar um tempo caçando a solução num fórum ou no Stack Overflow. Mas não ter mais que parar pra resolver cada pequeno obstáculo faz programar ser ainda mais legal.

Mas e agora?

A IA veio pra ficar. A caixa de Pandora foi aberta. Mas não é magia — é uma ferramenta. Uma ferramenta que ajuda muito, mas ainda assim, apenas uma ferramenta. Eu pretendo usar a IA em lugares onde sempre tive vontade de ir. Talvez um jogo? Quem sabe...